O ROL DA LAVADEIRA

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O Rol

 

 No tempo em que as máquinas de lavar ainda não haviam conquistado o seu lugar, todo o trabalho de limpeza da roupa era feito à mão, no rio, no ribeiro, no tanque, na celha, no alguidar de esmalte.

A gente mais rica dos nossos meios rurais, na generalidade, dispunha de meios (tanques de pedra, mais tarde de tijolo e cimento ou de celhas de madeira semelhantes a pequenas dornas complementadas com uma tábua larga onde o carpinteiro fizera sulcos macios para se esfregar a roupa) e do pessoal necessário para a prestação destes serviços.

Os outros iam ao ribeiro onde qualquer pedra, fixa ou móvel, servia de lavadoiro. A joelheira – que também servia para lavar a casa – resolvia o problema de ajoelhar na rugosidade das pedras.

Nos meios urbanos, porém, as coisas passavam‐se de forma diferente. As senhoras mandavam a roupa da família para a lavadeira, sendo obrigatório fazer o rol por onde se havia de conferir a roupa a entregar mais adiante. Todavia, algumas senhoras pouco sabiam ler e menos escrever.

Por isso, o mercado lhes pôs à disposição este belíssimo exemplar de almofadinha de seda onde já vinham escritos os nomes das diversas peças da roupa branca e os números, de 1 a 12, onde um simples alfinete espetado registava a quantidade de peças entregues à lavadeira. Um requinte.

 

 

Fonte: Museu de Silgueiros - Centro de documentação etnográfica / ASSOPS‐Associação de Passos de Silgueiros

Viv Vila Verde Janeiro 2016