A carpideira

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A Carpideira, profissão exclusivamente feminina, tinha como única função chorar um defunto alheio. A carpideira tem uma tradição milenar. Esta profissional do choro e da dor era contactada para acompanhar os velórios e chorar pelos mortos, mediante um acordo monetário com a família do defunto.

 No Antigo Testamento, existem várias referências a mulheres profissionais do pranto e do luto, conhecidas pela alcunha de carpideiras, ou aquelas que são fontes de lágrimas: Considerai, e chamai carpideiras que venham; e mandai procurar mulheres hábeis, para que venham. E se apressem, e levantem o seu lamento sobre nós; e desfaçam-se em lágrimas os nossos olhos, e as nossas pálpebras destilem águas (Jeremias 9:17-19). Tinham como principal tarefa provocar uma atmosfera de tristeza, entoando cânticos fúnebres e chorando em voz alta e com grande encenação.

A carpideira  aliava à técnica do choro e do cântico fúnebre as artes cénicas  Eram especialistas em representar e encenar situações que visavam provocar nas outras pessoas o choro e a dor. Na antiga Roma, não havia velório sem carpideiras e quantas mais houvessem, mais importante era a pessoa falecida.

Pouco se ouve falar actualmente das carpideiras apesar de ainda existirem  algumas escondidas nas mais recônditas aldeias portuguesas. Choraram durante séculos os mortos alheios e na história serão lembradas como as actrizes que representaram no palco da vida real!